Os resultados recentes das eleições em países europeus traduzem claramente a aversão das populações à estratégia de corte de gastos, defendida, especialmente, pela chanceler alemã Angela Merkel. Isso especialmente em países como Grécia e França, em que o candidato François Hollande, do partido socialista, derrotou o então presidente Nicolas Sarkozy, aliado da Alemanha na implantação de uma política de austeridade à zona do euro. A opinião é de Monica de Bolle, consultora do IBRE, especialista em política externa. Para ela, uma mudança de postura de líderes europeus como Merkel e Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), já estaria sendo percebida antes mesmo do que foi computado nas urnas. “A alteração que antevejo é a possibilidade de que, ao longo dos próximos meses, a ideia de espaçar os ajustes fiscais no tempo, sobretudo no caso daqueles países mais afetados pela crise, seja aceita.” E acrescenta: “A retórica dura provavelmente não mudará, mas se a Espanha, por exemplo, puder fazer menos do que os três pontos percentuais do PIB de ajuste que estão contratados para este ano, com alguma ajuda do BCE via compras nos mercados secundários de dívida para aliviar as necessidades de financiamento, isso já será um grande avanço”.
Mais alinhado às reivindicações do povo europeu, Hollande acredita que a fórmula para tirar a União Europeia da crise seria dar ênfase ao crescimento econômico, diferente do foco à austeridade pregado por Merkel. Segundo de Bolle, a disparidade entre as políticas econômicas defendidas por França e Alemanha deve interferir pouco nas relações entre ambos os países. “Não vejo grandes mudanças nessa aliança. A realidade é que com a devastação da Grécia e os temores do que podem ocorrer com a Espanha, os políticos já devem ter entendido que ajustes rápidos e intensos quebram países. Não é à toa que Merkel fala abertamente em introduzir as medidas pró-crescimento na pauta da reunião de cúpula de junho”, salienta. “Apenas o nome da dupla dinâmica ficará pior: de ‘Merkozy’ para ‘Merllande’”, brinca.
Mais alinhado às reivindicações do povo europeu, Hollande acredita que a fórmula para tirar a União Europeia da crise seria dar ênfase ao crescimento econômico, diferente do foco à austeridade pregado por Merkel. Segundo de Bolle, a disparidade entre as políticas econômicas defendidas por França e Alemanha deve interferir pouco nas relações entre ambos os países. “Não vejo grandes mudanças nessa aliança. A realidade é que com a devastação da Grécia e os temores do que podem ocorrer com a Espanha, os políticos já devem ter entendido que ajustes rápidos e intensos quebram países. Não é à toa que Merkel fala abertamente em introduzir as medidas pró-crescimento na pauta da reunião de cúpula de junho”, salienta. “Apenas o nome da dupla dinâmica ficará pior: de ‘Merkozy’ para ‘Merllande’”, brinca.
Fonte: Maio 2012 | Conjuntura Econômica
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